No torpor da noite, o bronze da luz se dilui com
as imagens. Neste tempo pouco, o michê flerta
com seu próximo segundo, tentando seduzir
mais um cliente. O brilho do carro, noir, remete a
tempos passados, ou quem sabe cria memórias
ao fecundar o presente.
A fotógrafa Ana Mokarzel, administradora por
formação, consultora respeitada na área de
recursos humanos, reencontra a fotografia, que
conheceu ainda criança. A lembrança do pai lhe
vem à memória. Ele ensinou as primeiras lições
da escrita com a luz, como um mestre que
segura a mão do discípulo no capricho das
letras. O envolvimento foi inevitável. Ana passou
a se dedicar cada vez mais à fotografia e, sem
abandonar o trabalho original, agrega este novo
universo a ele. Dinâmica, não se permite limites.
Curiosa com a nova janela aberta, Ana se
debruça e cai, como Alice no País das
Maravilhas. E nos convida a viagens por mundos
esquecidos e imaginários repletos de
personagens instigantes que poucas pessoas
sabem perceber.
